"Hay hombres que luchan un dia y son buenos.
Hay otros que luchan un año y son mejores.
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos.
Pero hay los que luchan toda la vida: esos son los imprescindibles."

Bertold Brecht

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Tesoura.

E uma faca corta o peito...

Enquanto esse luto que faço dói, minha mente se enche do novas idéias.
Sempre que alguém se vai, nova vida começa. Uma vida sem... uma tesoura que corta as relações, uma tesoura que corta a vida e mata! Essa me pegou, e peguei ela pra mim. Agora com ela corto tudo o que há de ruim, corto o mal pela raiz, corto a vida seca e a mente vaga...
 ...meu tesão e minha soberba,
minha voz e minha cala,
meu pudor e minha luxúria,
minha alma e minha mente.

O renovar de vidas se dá numa nova manhã, quando podemos ver a cor de um novo sol. Pra mim o que funciona é o corte. O rasgo que faz na pele, e da cicatriz que fica faço plástica. Não quero mais ver, nem sentir, nem saber...

Agora renovo o rosto, os escritos e os sentidos. Passo neles todos a tesoura, quase como quem corta o papel, à maneira de cortar fotografias, ao tempo de dividir a linha. Divido então a linha do tempo, do meu tempo. Corto as velhas fotografias, e também esse papel no qual escrevo.

O blog vai dar um tempo, um pequeno corte na linha do tempo, e vários cortes nas folhas de papel que aqui se encontram, em poucas semanas esse não será mais o mesmo lugar. Minhas pedras acabaram-se, meu papel amarelou... e a tesoura vai comer solta.

Esse luto que agora me ocorre, terá curta duração, para então o sol nascer de volta... até breve!

...é hora de mudar!

"Don't let the darkness eat you up"(JG) cut it!

(JG) José González

domingo, 1 de abril de 2012

Papel

E então, mais uma vez me desfaço....

Me dilacero e me olho no espelho, com os olhos rubros... não pelo uso da "erva marvada", mas pelo derramar de lágrimas sofridas...
Aquela cena, que antes pairava pela minha imaginação, uma cena que me torturava mentalmente, via pensamentos e alucinações, percorre minha mente com o triste desprazer da realidade. O que antes era fantasia se tornou realidade... e como a realidade dói.
Como a folha de papel na qual escrevo, meu peito se derrete ao toque suave da água. Essa água que outrora refrescava nossa garganta no meio da noite, devido à respiração ofegante e aos tratos físicos, agora me bate como pedra, me esmaga... mas diferentemente ao jogo, no qual a folha abraça a pedra, a pedra me estilhaça, mais pra vidro que pra folha de papel.
Uma folha frágil, uma folha de papel branca, cheia de borrões, de uma vida mal escrita e maltratada... em letras vermelhas escrevo o ódio e a dor, pra nunca mais. Pra nunca mais mesmo!

2/3... papel.

terça-feira, 20 de março de 2012

Idas e voltas...

Um poema...

Deveria surgir cá de minha boca, mas o vinho me cala. Um gole e um trago amais, o abraço terno de corpos que se despedem, pra em breve se encontrar novamente. Minha poesia chula, minhas mãos desnudas e sem posição pra se aconchegar.
Um som sonso na vitrola e minhas memórias, que me dizem que o que passa vale mais do que o que se vive. Minha fúria acalmada pelas suas frases, os poucos momentos à sós e as estrelas... quanto de beleza há!!
Queria isso todo dia, poder me apaixonar e voltar a realidade dura... poder ser feliz em meio às árvores de concreto que sobem vertiginosamente pela cidade vil. Essa cidade que faz brotar, e que faz morrer meus sonhos... a espera em uma estação qualquer.
Voltes logo, senão eu vou até aí!!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Pedra(o)*...

E a ferida aberta...

Translúcidas as costelas e a epiderme. A luz da lua que atravessa, o sol poente que não sai da minha mente. Voltei àquele lugar, onde o sol se punha, vermelho sangue, alaranjado e azul. Onde deveria haver uma árvore frondosa, quem sabe até com frutos... mas então era tronco, toco de árvore podada pela força destrutiva do ser humano. Vi nessa mesma hora o sol sumindo, os prédios da cidade voraz... o muro em grafite, belo pela arte, triste pela lembrança.
A ferida que não se fecha, na qual eu insisto em mecher, o medo de perder, aquilo que hoje já não faz muito sentido, mas que outrora eu daria a vida pra viver mais, e mais, e mais...
Voltei àquele domingo, àquele lago, àquela noite... meu violão, aquele pequeno tronco de árvore, sentado olhando a lua... com o único calor do verão, e não...
Voltei àquelas pedras, mas dessa vez apenas observei, e não me arrisquei a pegá-las... não havia porque. Já não fazia mais sentido, mas senti que algo ali me chamava, me sugava... talvez a alma, talvez a mente, talvez o coração.
Passo e vejo a velha janela, brilhando prateado de manhã. Verde no fundo e dói.... a ferida não cicatriza, nem nunca vai. O tempo, senhor de tudo, vai correr... mas a cicatriz, essa vai ficar. Só pra eu me lembrar de que valeu a pena um dia. Naquela mata, naquele rio, mas não no balcão... naqueles dias, naquelas noites.
E como uma pedra que quica na água, por melhor que seja o arremesso, afunda... eu estou no fundo agora, parado! Mas a correnteza há de me levar, e um dia estarei longe... pra quem sabe então ser encontrado por mãos tão doces, que não permitirão que eu quique mais, e que me levará numa bolsa qualquer para um lugar confortável e seguro... onde os males não possam me alcançar.
Pedra dura sou, mas água tanto bate... 

*Publicação 1 de 3. Pedra(o), papel, tesoura.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Em trova e treva...



Me concentro na trova
que um trovador travou,
cravou sem ponto e sem vírgula
no meu coração...

Os raios e relâmpagos dessa cidade
ferem e me deixam energizado
na treva me tremo
e há ciqüenta dias na trema
tramo um novo ponto...

O ponto de tiro!
O ponto de bala!
Me re-tiro e res-guardo
em meu reles sofá,
em meu rolé...

Meu cabelo en-rolado
minhas idéias en-rroscadas
e o nó nas en-tranhas.
Meus olhos ex-trábicos
e minha vida ex-tranha.
Meu medo de dormir...